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A cidade respirava a vida no trem e muitas de suas construções surgiram por causa da ferrovia. Clique no mapa e conheça mais a história de algumas dessas estruturas e espaços que ficavam no entorno das estações do trem.

Mapa do entorno de Matozinhos

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Estação

A Estação Ferroviária de Matozinhos foi inaugurada no dia 31 de agosto de 1895, no quilômetro 658 da linha de tronco da Estrada de Ferro Central do Brasil, entre Periperi (Capim Branco) e Arco Verde, e a 743 metros de altitude, atendendo às necessidades locais de transporte de carga. Com a chegada do trem, todo o entorno se transformou:  imponentes casarões romperam no horizonte, comércios se diversificaram, ruas foram alargadas e novas formas de comunicação, aprendidas. Palco de amores, brincadeiras e festas, a Estação é um verdadeiro espaço de memórias! 

Casa do chefe de estação

Uma casa alta, no topo de uma pequena colina, atrás da estação. Janelas e portas grandes, além de uma escada de pedra, encantavam passageiros e transeuntes que a avistavam.  Demolida no final de século XX, casa do chefe da estação era a moradia oficial do funcionário que comandava o local. Acompanhou famílias crescendo e se formando, e, por isso mesmo, era com pesar que funcionários como o Seu Christóvam de Aguiar, com a aposentadoria, precisavam desocupá-la para o próximo trabalhador que ocuparia o posto. 

Caixa d’água

Na época das charmosas Marias Fumaças, como eram conhecidas as locomotivas a vapor, a caixa d’água abastecia suas enormes caldeiras, alimentadas com fogo e lenha. A água vinha do Açude do Governo, onde a garotada também encontrava uma fonte de diversão. 

Curral e campinho

Era só a boiada que chegava de trem de Montes Claros (MG), partir para o matadouro, que a meninada tomava conta. Com a terra seca ou salpicada de lama, o jogo era armado. No pátio da Estação, o curral era transformado em um verdadeiro campo de futebol, onde talentos eram descobertos e disputas, acirradas. Sem se esquecer das brincadeiras de Dodô e Jaime Aguiar, filhos do chefe da estação Seu Christóvam, com as bombinhas que deixavam os animais loucos pelas ruas da cidade. 

Praça Santa Terezinha

Mais conhecida como Praça da Estação, foi construída em 1988 e é um dos principais pontos de encontro do bairro.  Carrega as lembranças das alunas das “Escolas Reunidas Santa Teresinha” (no período, tanto Teresinha quanto Matosinhos escreviam-se com “s”), que a frequentavam no período áureo da ferrovia, no início do século XX. Antes da chegada do charmoso coreto, o espaço também abrigou o primeiro cinema e teatro da cidade, cujo funcionamento durou até a década de 1960. 

Padaria Esperança

Fundada em 1939, data da chegada de João Pereira Lima, Dona Hermelita Soares e os filhos em Matozinhos, vindos de Pedro Leopoldo (MG). Esperança foi, por muito tempo a única padaria de toda a redondeza, distribuindo pães e biscoitos pelos municípios vizinhos, de carroça e bicicleta. Com a morte precoce de Seu João, os filhos mais velhos, João, Joaquim e Davi, assumiram o comércio e sustento da família, passando a ser conhecidos pelo sobrenome “padeiro”. Além do trabalho pesado, aprenderam com o pai e a mãe, fundadora do Centro Espírita Amor e Luz, a enxergar no que produziam mais do que uma fonte de sustento própria: muitas das levas de pães eram doadas para famílias necessitadas.  

Casarão das irmãs Vieira

Construído em 1919, o Casarão da família Vieira era um nobre ponto encontro da região. Ali passavam dos fazendeiros que esperavam o trem que os levariam à capital, a curiosos que enchiam seus arredores, testemunhando “as maravilhas” do segundo aparelho de rádio a chegar na cidade. Na década de 1950, o Sr. José Vieira construiu, no porão, uma fábrica de palha de milho para cigarro, dando ainda mais movimento à casa onde ele e Dona Zizi criaram seus quatro filhos e suas oito filhas, conhecidas como “as irmãs Vieira”. A mais velha delas, Maria José, foi uma importante figura na vida social e intelectual da cidade. Cultivou a sua famosa criação de bicho da seda e até montou uma farmácia para distribuir remédios às pessoas carentes, eternizando as memórias do casarão. 

Casa de Caio Martins e loja José Gomes Avelar

Na fachada da construção, as iniciais “RM” marcam a passagem da família de Raimundo Martins pela região, no início do século XX. Um de seus filhos, Caio Vianna Martins, é um dos principais símbolos do movimento escoteiro no Brasil, conhecido pela célebre frase “um escoteiro caminha com as suas próprias pernas”. Na década de 1930, foi comprada por José Gomes Avelar, conhecido como Zé Gomes, que transformou a parte térrea em uma moagem de milho e, depois, numa das lojas mais famosas da região, onde comercializava roupas, sapatos e tecidos, como a caxemira, produzida na fábrica Periperi (atual Capim Branco). Ao lado funcionava o Banco Hipotecário de Minas Gerais. 

Venda do Abrãao

Como a maioria das casas nos arredores da estação na primeira metade do século XX, na do casal Seu Abraão Elian e a Dona Maria Elian funcionava a residência da família no piso superior e o comércio no térreo. Construída em 1933, como mostra a inscrição na fachada com as iniciais de seu nome, a Venda do Turco Abrãao era do tipo secos e molhados, principalmente de gêneros alimentícios e querosene, para as lamparinas e os lampiões que iluminavam a cidade em uma época na qual ainda não se havia energia elétrica. Mais tarde, foi transformada no Salão Azul e Branco, bar de sinuca de bola branca do filho Edson Elian. 

Pensão de Dona Filú, venda de Seu Tranquilino e Bar de Seu Lipito

Em meados do século XX, não havia, em toda a cidade, sobrado mais movimentado que o de Filomena Del’Boccio Pereira, conhecida como Dona Filú, e Seu Tranquilino José Pereira. Além de criar a família, o casal manteve um comércio de secos e molhados, a primeira bomba de gasolina para veículos e a única pensão da época. Na venda, Seu Tranquilino tinha uma caixa de correios, na qual as pessoas depositavam e recebiam cartas que viajavam quilômetros com histórias de amor, acontecimentos familiares e todo o tipo de novidade. No andar de cima, Dona Filú acolhia trabalhadores vindos de diversas partes do Brasil e do mundo, atraídos pelas primeiras fábricas dos tempos áureos da estrada de ferro. Cercada por essa intensa circulação de pessoas, culturas e idiomas, cresceu Neide Pereira e os irmãos, Nilton e Neli. No final dos anos 1960, Seu Lipito comprou o primeiro andar da construção, transformando-o em bar e armazém. Junto aos filhos, Antônio e Chico, fizeram história com os ferroviários e chapas que trabalhavam nas fábricas do entorno. 

Estação

A Estação Ferroviária de Matozinhos foi inaugurada no dia 31 de agosto de 1895, no quilômetro 658 da linha de tronco da Estrada de Ferro Central do Brasil, entre Periperi (Capim Branco) e Arco Verde, e a 743 metros de altitude, atendendo às necessidades locais de transporte de carga. Com a chegada do trem, todo o entorno se transformou:  imponentes casarões romperam no horizonte, comércios se diversificaram, ruas foram alargadas e novas formas de comunicação, aprendidas. Palco de amores, brincadeiras e festas, a Estação é um verdadeiro espaço de memórias! 

Casa do chefe de estação

Uma casa alta, no topo de uma pequena colina, atrás da estação. Janelas e portas grandes, além de uma escada de pedra, encantavam passageiros e transeuntes que a avistavam.  Demolida no final de século XX, casa do chefe da estação era a moradia oficial do funcionário que comandava o local. Acompanhou famílias crescendo e se formando, e, por isso mesmo, era com pesar que funcionários como o Seu Christóvam de Aguiar, com a aposentadoria, precisavam desocupá-la para o próximo trabalhador que ocuparia o posto. 

Caixa d’água

Na época das charmosas Marias Fumaças, como eram conhecidas as locomotivas a vapor, a caixa d’água abastecia suas enormes caldeiras, alimentadas com fogo e lenha. A água vinha do Açude do Governo, onde a garotada também encontrava uma fonte de diversão. 

Curral e campinho

Era só a boiada que chegava de trem de Montes Claros (MG), partir para o matadouro, que a meninada tomava conta. Com a terra seca ou salpicada de lama, o jogo era armado. No pátio da Estação, o curral era transformado em um verdadeiro campo de futebol, onde talentos eram descobertos e disputas, acirradas. Sem se esquecer das brincadeiras de Dodô e Jaime Aguiar, filhos do chefe da estação Seu Christóvam, com as bombinhas que deixavam os animais loucos pelas ruas da cidade.  

Praça Santa Terezinha

Mais conhecida como Praça da Estação, foi construída em 1988 e é um dos principais pontos de encontro do bairro.  Carrega as lembranças das alunas das “Escolas Reunidas Santa Teresinha” (no período, tanto Teresinha quanto Matosinhos escreviam-se com “s”), que a frequentavam no período áureo da ferrovia, no início do século XX. Antes da chegada do charmoso coreto, o espaço também abrigou o primeiro cinema e teatro da cidade, cujo funcionamento durou até a década de 1960. 

Padaria Esperança

Fundada em 1939, data da chegada de João Pereira Lima, Dona Hermelita Soares e os filhos em Matozinhos, vindos de Pedro Leopoldo (MG). Esperança foi, por muito tempo a única padaria de toda a redondeza, distribuindo pães e biscoitos pelos municípios vizinhos, de carroça e bicicleta. Com a morte precoce de Seu João, os filhos mais velhos, João, Joaquim e Davi, assumiram o comércio e sustento da família, passando a ser conhecidos pelo sobrenome “padeiro”. Além do trabalho pesado, aprenderam com o pai e a mãe, fundadora do Centro Espírita Amor e Luz, a enxergar no que produziam mais do que uma fonte de sustento própria: muitas das levas de pães eram doadas para famílias necessitadas.  

Casarão das irmãs Vieira

Construído em 1919, o Casarão da família Vieira era um nobre ponto encontro da região. Ali passavam dos fazendeiros que esperavam o trem que os levariam à capital, a curiosos que enchiam seus arredores, testemunhando “as maravilhas” do segundo aparelho de rádio a chegar na cidade. Na década de 1950, o Sr. José Vieira construiu, no porão, uma fábrica de palha de milho para cigarro, dando ainda mais movimento à casa onde ele e Dona Zizi criaram seus quatro filhos e suas oito filhas, conhecidas como “as irmãs Vieira”. A mais velha delas, Maria José, foi uma importante figura na vida social e intelectual da cidade. Cultivou a sua famosa criação de bicho da seda e até montou uma farmácia para distribuir remédios às pessoas carentes, eternizando as memórias do casarão. 

Casa de Caio Martins e loja José Gomes Avelar

Na fachada da construção, as iniciais “RM” marcam a passagem da família de Raimundo Martins pela região, no início do século XX. Um de seus filhos, Caio Vianna Martins, é um dos principais símbolos do movimento escoteiro no Brasil, conhecido pela célebre frase “um escoteiro caminha com as suas próprias pernas”. Na década de 1930, foi comprada por José Gomes Avelar, conhecido como Zé Gomes, que transformou a parte térrea em uma moagem de milho e, depois, numa das lojas mais famosas da região, onde comercializava roupas, sapatos e tecidos, como a caxemira, produzida na fábrica Periperi (atual Capim Branco). Ao lado funcionava o Banco Hipotecário de Minas Gerais. 

Venda do Abrãao

Como a maioria das casas nos arredores da estação na primeira metade do século XX, na do casal Seu Abraão Elian e a Dona Maria Elian funcionava a residência da família no piso superior e o comércio no térreo. Construída em 1933, como mostra a inscrição na fachada com as iniciais de seu nome, a Venda do Turco Abrãao era do tipo secos e molhados, principalmente de gêneros alimentícios e querosene, para as lamparinas e os lampiões que iluminavam a cidade em uma época na qual ainda não se havia energia elétrica. Mais tarde, foi transformada no Salão Azul e Branco, bar de sinuca de bola branca do filho Edson Elian. 

Pensão de Dona Filú, venda de Seu Tranquilino e Bar de Seu Lipito

Em meados do século XX, não havia, em toda a cidade, sobrado mais movimentado que o de Filomena Del’Boccio Pereira, conhecida como Dona Filú, e Seu Tranquilino José Pereira. Além de criar a família, o casal manteve um comércio de secos e molhados, a primeira bomba de gasolina para veículos e a única pensão da época. Na venda, Seu Tranquilino tinha uma caixa de correios, na qual as pessoas depositavam e recebiam cartas que viajavam quilômetros com histórias de amor, acontecimentos familiares e todo o tipo de novidade. No andar de cima, Dona Filú acolhia trabalhadores vindos de diversas partes do Brasil e do mundo, atraídos pelas primeiras fábricas dos tempos áureos da estrada de ferro. Cercada por essa intensa circulação de pessoas, culturas e idiomas, cresceu Neide Pereira e os irmãos, Nilton e Neli. No final dos anos 1960, Seu Lipito comprou o primeiro andar da construção, transformando-o em bar e armazém. Junto aos filhos, Antônio e Chico, fizeram história com os ferroviários e chapas que trabalhavam nas fábricas do entorno. 

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