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Histórias e Casos
"Um tiquinho do tanto de trem que passou por aqui"! Conheça os casos e histórias da ferrovia em Mateus Leme!

E o badalo?

Em tempos passados, em Mateus Leme, um dos únicos entretenimentos dos moradores era ir à estação ferroviária para ver os trens passarem. Naquela época, os trens eram frequentes, mas seus horários eram incertos. Para resolver esse problema, o chefe da estação, Seu Ferreira, usava um sino para avisar a população: uma badalada significava trem vindo de Azurita e duas, de Juatuba.

Certo dia, Ferreira recebeu a notícia de um trem vindo de Azurita e logo deu uma badalada no sino. Em seguida, foi informado sobre outro trem, agora de Juatuba, e precisava fazer o cruzamento dos dois. Ele enviou os guarda-chaves, Neca e Carreiro, para alertar os maquinistas e preparou-se para dar duas badaladas no sino. Porém, no momento da segunda badalada, a corda já muito esgaçada pelo tempo, se rompeu e o sino caiu, acertando Seu Elias Salomão na cabeça, só não o matando porque seu corpo entrou dentro do sino, ficando aquele com as bordas (a boca do sino) na altura das costas do seu Elias. Fernando Abreu Mendes, morador da cidade, adorava contar essa história para as pessoas e ao chegar nesse ponto dava uma parada na narrativa e ficava esperando alguém analisar a situação, achar estranha, discordar e por fim dizer:

— Peraí Fernando, isto não pode, não tá correto… e o badalo?

Quem já sabia da história, nesta hora caia na gargalhada, rindo de quem acabara de cair na arapuca do Fernando, que, fazendo uma cara de satisfeito, dizia:
— O badalo você enfia no…
Um dia, Fernando contava essa história para um grupo de pessoas e, de repente, dentre elas surgiu o Padre Bento Mateus Borges. Quando o Fernando acabou a narrativa, esperou para ver quem seria o trouxa da vez. Mas Padre Bento antecipou-se a todos e sem nenhuma cerimônia foi logo dizendo:
— Uai, Fernando, não pode… E o badalo?
Quem sabia o que viria adiante caiu na risada por causa da situação embaraçosa na qual Fernando tinha se enrolado. Como ele responderia ao padre? Fernando, tirou uma tragada no cigarro, respirou fundo, colocou o braço em volta do pescoço do Padre Bento, e disse:
— Padre, pelo pouco tempo que o senhor está por aqui já deu para ver que em Mateus Leme as coisas não são como nos outros lugares, não é mesmo? Por exemplo, o cidadão conhecido como “João Sapateiro” na verdade não é sapateiro, é pedreiro… “Geraldo Barbeiro” é pedreiro…
— É daí? retrucou Padre Bento.
— Daí, respondeu o Fernando, que como tudo que acontece em Mateus Leme é ao contrário, o badalo do sino é do lado de fora…

História adaptada do arquivo “Fragmentos Condensados de uma Cidade do Interior”, de Mário Lúcio Mendes.

A grande surpresa

Um dia, para surpresa de todos, minha tia Idalina chegou na fazenda Horto Liberdade em um caminhão-baú trazendo duas enormes caixas. A primeira era quadrada e grande,
e a segunda, retangular e comprida. A curiosidade tomou conta de todos nós, que corremos para ver o que havia dentro. Minha tia, impaciente, gritou:
— Sai pra lá, molecada!
Mesmo assim, seguimos de perto enquanto os rapazes levavam as caixas para dentro. Quando abriram a primeira, ficamos boquiabertos: era uma enorme geladeira azul-claro,
da marca Electrolux. Só conseguimos exclamar:
— Oh! Uau!
Logo, os rapazes começaram a carregar a segunda caixa. Ficamos ainda mais curiosos, até que minha tia revelou:
— É uma televisão! Agora sumam daqui, pois o moço vai instalar a antena.
Não arredamos o pé e ficamos espiando pela janela. O moço ajeitava a antena, instruindo o colega:
— Vira para a esquerda. Não, para a direita! Isso!
Finalmente, o aparelho estava pronto. Minha tia ligou a TV e, para nossa alegria, todos os canais estavam funcionando. Embora a imagem fosse em preto e branco, era algo
mágico para nós. A notícia se espalhou rapidamente, e logo a casa da tia Idalina virou ponto de encontro. Ela, orgulhosa, mostrava os canais:
— Itacolomi, Globo, Bandeirantes, Alterosa, Rede Tupi!

A televisão trouxe muita alegria, mas também mudou nossas vidas. Antes, as brincadeiras ao ar livre, como pular amarelinha e nadar na lagoa, eram nossa diversão.
Agora, passávamos horas em frente à TV, assistindo aos programas favoritos: “Discoteca do Chacrinha”, com seu famoso “Quem quer bacalhau?”, e o “Programa Silvio Santos”,
que fez todo mundo comprar o Carnê do Baú. A fazenda nunca mais foi a mesma. As brincadeiras deram lugar à TV, e o mundo lá fora ficou um pouco mais distante.

História adaptada do livro “As raízes profundas do Horto da Liberdade”, de Maria Aparecida Rios, 2008.

O susto

Meu primo Ronaldo, que residia em Pará de Minas, adorava passar férias na fazenda. Ele, muito atentado, vivia dizendo palavrões, xingava o nome da “mulher pelada” o dia
inteiro… Mamãe dizia que quem xingasse aquele “palavrão”, alguma coisa terrível aconteceria com a pessoa. Mas ele nem ligava e continuava sempre xingando…

O dia amanheceu ensolarado. Mamãe colocou todos para fora da cama, bem cedinho, pois era dia de capinar o arrozal. Ronaldo foi resmungando e xingando, mas foi… Ao
chegarmos no arrozal, a primeira coisa que Ronaldo fez foi subir no pé de jatobá. Falta de avisar não foi… Deixamos o primo Ronaldo no pé de jatobá, fazendo gracinha, e fomos trabalhar.

De repente, começou um tremendo rodamoinho, parecia mais um furacão! De longe ouvíamos os gritos de Ronaldo. Corremos para ver o que estava acontecendo, mas já era tarde! O danado sumira… Corremos de volta para a fazenda e chamamos os ferroviários. Cada homem levou uma foice e uma lanterna, pois já estava escurecendo. Gritavam:

– Ronaldo… Ronaaaaldo!
E nada!
Lá pelas três da madrugada, sr. José Felipe ouviu uns gemidos…

– Socorro, socorro… Estou preso aqui.
A voz vinha do emaranhado de “Unha de Gato”, cheio de espinhos. Sr. Felipe chamou os companheiros e todos ficaram abismados de ver o garoto preso, lá no meio. Cortaram com cuidado, até conseguirem tirar Ronaldo, com vida. Quiseram saber como ele fora parar lá. Ele relatou tudinho:

– Na hora que começou o pé-de-vento eu estava em cima do pé de jatobá. AÍ apareceu uma mulher horrorosa! Toda rasgada, descabelada. Ela me disse:

– É você que me chama?!
Tremi feito vara verde!!! Ela então me agarrou pelo braço e saímos juntos com o rodamoinho. Quando ela viu as “Unhas de Gatos”, logo disse:

– É aqui que é lugar de criança que fala nome feio! Fique preso aí. Rá, rá, rá, rá, rá… Depois desse dia Ronaldo virou outro menino… Ficou trabalhador, dedicou-se aos
estudos e nunca mais quis saber de palavrão!

História extraída do livro “As raízes profundas do Horto da Liberdade”, de Maria Aparecida Rios, 2008.

Briga de política no restaurante de Azurita

Vitorino Jardim, muito inteligente e comunicativo, recebia em seu restaurante muitos chefes políticos. Ouvia confidências de vários deles e acabava se tornando conselheiro de personalidades como Melo Viana (sua esposa chegou a vice-presidente da República), Janot Pacheco (engenheiro famoso, diretor da Oeste de Minas e depois fazendeiro em Soledade do Pará), Carvalho de Brito, Cristiano Machado, Olegário Maciel e, claro, Benedito Valadares. Muito amigo de Benedito, houve um período em que ficaram inimigos políticos. Em 1930 o então Presidente da República, Washington Luiz, indicou Getúlio Vargas como candidato às eleições presidenciais para sucedê-lo. Formou-se uma grande aliança de apoio a Vargas,  chamada Frente Liberal, apoiada por Benedito. Vitorino Jardim, no entanto, apoiou o candidato adversário, Júlio Prestes, que venceu a eleição. Na época da campanha, Vitorino enfeitou o restaurante com cartazes e fotos de Júlio Prestes, o que irritou profundamente Benedito Valadares. O vencedor não chegou a tomar posse, pois Getúlio Vargas, no mesmo ano de 1930, liderou um movimento armado que tomou à força o poder. Benedito ficou um bom período sem falar com Vitorino. Quando seu trem parava na estação de Soledade, ele descia para esticar as pernas e não entrava no restaurante. Ficava andando de um lado para o outro na plataforma, com a cara amarrada. Às vezes, chamava às escondidas o então menino Iracy Jardim e pedia a ele que fosse lá dentro buscar um generoso copo de cachaça, de que tanto gostava. Depois disso, Benedito foi candidato a deputado federal e precisou do apoio de Vitorino, que se dispôs a ajudá-lo. Reatada a amizade, Benedito foi eleito deputado e depois nomeado Governador (Interventor) do Estado de Minas Gerais pelo Presidente Getúlio Vargas.

História adaptada do livro “Azurita conta a sua história”, de Marcelo Lopes Costa, 2003

Sopa quente

Muitos casos interessantes se contam de Vitorino Jardim e do restaurante. O que se tornou folclórico é o da “sopa quente”. Quando o trem parava em hora de almoço e jantar, os passageiros desciam e pagavam uma tarifa única pela refeição. Ao entrarem no restaurante, já apreciavam sobre um balcão os apetitosos pratos que seriam servidos: carnes, peixes, aves e o famoso rosbife, uma das especialidades de Vitorino. Quando todos já estavam sentados, ele mandava então servir uma sopa extremamente quente, fumegante, que obrigava os convivas a soprar demoradamente cada colherada antes de levá-la à boca.

Com isso o tempo ia passando e quando o último passageiro, a duras penas, acabava de comer a sopa e os pratos principais começariam a ser servidos, escutava-se o apito do trem chamando para a partida. Todos se levantavam apressados e se dirigiam aos vagões, por receio de serem deixados para trás. Dessa forma, Vitorino, sabiamente, servia várias turmas de passageiros com os mesmos “pratos principais”. (Si non è vero è bene trovato!).

História extraída do livro “Azurita conta a sua história”, de Marcelo Lopes Costa 

O relógio de ouro

A minha mãe não gostava que eu e minha irmã mais velha jogássemos futebol. Minha irmã mais velha chutava igual Nelinho, tinha um chute que fazia gol do meio de campo! A minha mãe falava assim:

– Eu não gosto que minhas filhas joguem futebol, não gosto. Isso é coisa para homem, para macho. Mulher tem que ser mais feminina.

E eu falava:

– Mãe, faz um short para mim, eu gosto de brincar com os meninos! Eu não gosto de roupa de mulher, não. Eu gosto de shortinho, para poder sentar no chão e brincar com os meninos. As meninas têm uma brincadeira sem graça demais. Eu gosto de futebol!

Parece que estava no sangue! A gente treinava, tinha treino toda terça e quinta-feira.
Tinha que treinar muito para jogar. A minha mãe sempre dizia:

– Olha só, você devia estar estudando… Vou te dar um relógio de ouro, puro ouro, para
você largar o futebol.”

Naquele tempo o povo gostava de um ouro, pensei e falei:

– Na terça-feira eu vou decidir.

Quando chegou o dia, a minha mãe perguntou se eu iria querer o relógio, então falei:

– Não! Eu vou pôr o relógio no braço, ele vai cair, eu vou perder, eles vão me roubar na
escola, não quero esse relógio, não! Eu vou continuar com o meu futebol!

História inspirada no relato de Maria Aparecida Rios, filha de ferroviário e antiga moradora do Horto da Liberdade.

A árvore de figo

Na fazenda havia uma grande árvore de figos, que ficava em frente à casa do Cidico. Era um ponto de encontro do pessoal que ia até lá para jogar baralho. O Cidico estendia cobertas à sombra daquela bela figueira. A molecada, as mulheres, os rapazes, todo mundo se juntava ali e ia cantando as pedras. Isso acontecia no final de tarde, a gente sempre estava por lá. Se tivesse duas, três pessoas, já dava para começar. Sempre que alguém começava, meia hora depois chegava mais dois, três até ficar cheio de gente. A gente ficava ali até a iluminação permitir. Quando começava a escurecer cada um dava o seu jeito. A gente não tinha televisão na época, ela era um item de luxo no início dos anos 80. Os jogos debaixo da árvore de figo eram a nossa diversão na época. Depois vieram as brincadeiras de queimadas, que a gente fazia na rua, Pique-esconde… Isso tudo na década de 80.
História inspirada no relato de Gilson Raimundo da Silva, filho de ferroviário e antigo morador do Horto da Liberdade.

O presente de Natal

Na época do Natal houve uma distribuição de brinquedos na Escola Barão de Mauá. Lembro que isso aconteceu uma ou duas vezes. Uma vez, eu estava doente e não pude ir até a escola. Então, minha mãe foi até lá para buscar o presente. Mas, o pessoal da escola não a deixou levar o brinquedo, disseram que somente a criança poderia receber. Assim, eu acabei ficando sem o presente. Meu pai ficou muito chateado com a situação. Ele veio aqui em Azurita, de bicicleta, para comprar um aviãozinho igual ao que as outras crianças tinham recebido. Ele fez questão de comprar e levar para mim! Lembro que era um aviãozinho de plástico. Ao me entregar o brinquedo ele me disse que tinha sido o Papai Noel da escola que tinha me dado, mas na realidade ele que veio até aqui, em Azurita, de bicicleta para comprar.

História inspirada no relato de Gilson Raimundo da Silva, filho de ferroviário e antigo morador do Horto da Liberdade.

O último trem

A última vez que nós andamos de trem foi quando a gente matou aula. Nós matamos o último horário porque a gente estudava em Itaúna e no último horário era a Educação Física. A Educação Física era uma vez por semana e a aula terminava às 4h20, e o trem saia, eu acho, às 4h30 ou às 4h45.

Eu sei que a gente descia correndo para pegar o trem. Na época, eu tinha 17 anos, em 1978. O trem demorava muito, de ônibus gastava mais ou menos meia hora para vir de Itaúna até aqui, e de trem a gente gastava uma hora e tanto. E, a gente vinha na farra!

Quando foi um domingo, reunimos a nossa turma de amigos aqui, que a gente sempre tinha a nossa turminha. Foi uma turma grande, lembro que o Zé Manuel foi tocando violão. E nós fomos daqui pra Itaúna. Só tinha a gente no vagão. Então, nós fomos e foi aquela farra. Aí, no ano seguinte, a gente queria matar aula de novo, mais uma vez, para voltar de trem. Mas aí já tinha acabado, não tinha mais o trem. Então, eu acho que nós fomos umas das últimas pessoas a andar de trem. Aqui, nesse percurso. O último do trem.

História inspirada no relato de Walkiria das Dores Silva, moradora de Mateus Leme.

O Vagão de milho

Eu estava em um sono pesado, e eu acordei com o prédio balançando, um barulho enorme. Mas, meu sono estava tão pesado que quando eu acordei, tornei a dormir imediatamente. Pensei que era a batida de caminhão e voltei a dormir. No outro dia, quando eu levantei, ouvindo helicóptero da Rede Globo, helicóptero de não sei o quê, reportagem… depois descobri que era o trem que tinha descarrilado, foram três ou dois vagões que capotaram e foram lá para baixo, carregados de milho. Tinha milho para todo lado. O milho foi fermentando e foi ficando aquele cheiro. Cheiro não, era mal cheiro. E a coisa foi ficando terrível. Minha filha, ela tem sinusite, sentia dor de cabeça. O pessoal teve que acessar até a justiça, pra acelerar o processo.

História inspirada no relato de Walkiria das Dores Silva, moradora de Mateus Leme.

A despedida da caixa d’água

Uma vez eu inventei de fazer uma banda. Um grupo de pagode junto com uns meninos. Os vocalistas eram meu filho e eu. No dia em que a gente estreou a banda eu falei: “Vamos filmar a estação e a caixa d’água”. Não sei bem o motivo, mas eu sentia que um dia ela poderia ser destruída. Eu sentia que essa caixa d’água tinha um valor e que um dia poderia ser roubada. E foi exatamente, isso o que aconteceu. Quando eu assustei, já tinham levado ela. Ela tinha algum segredo… Eu acho que devia ter algumas peças de valor entre as ferragens. Destruíram tudo… Eu até tentei preservar a parte de concreto onde ela ficava, porque sobrou só esqueleto. Mas, quando eu assustei, tinham levado tudo. Eu estava trabalhando em Mateus Lemes, e não deu tempo de salvar nada. Isso foi em 2003, mas eu fiz uma filmagem, tipo uma despedida, pois eu sabia que um dia eles poderiam acabar com ela. Aproveitei e levei os meninos pra fazer a filmagem junto comigo e tiramos essa foto.

História inspirada no relato de José Maria, filho de ferroviário.

Pedido inesperado

Meu pai, Antônio Camilo Ferreira, trabalhou 33 anos no escritório da fazenda da Rede. Ele era um homem muito inteligente. Quando começou a trabalhar na fazenda, queria mesmo era ficar no plantio de eucalipto. Como ele escrevia muito bem, seu chefe mandou chamá-lo ao escritório. Naquele momento, ele achou que seria mandado embora, até se assustou. Chegando lá, o chefe falou assim:

– Antônio, lava suas mãos lá.
Meu pai lavou e enxugou as mãos. Então, seu chefe continuou:

– Senta aí, vai preenchendo nesses papéis pra mim.
Depois que meu pai preencheu os papéis, o chefe disse:

– Bom, a partir de amanhã, você pode vir com roupa social, você vai ficar no escritório!

A partir desse dia, ele ficou no escritório até se aposentar, após 33 anos de serviços
prestados no escritório do Horto da Liberdade.

História inspirada no relato de Mário Camilo Ferreira ferroviário aposentado e antigo morador do Horto da Liberdade.

Aos domingos, no campo de futebol do Horto da Liberdade, era comum acontecer um evento que a gente chamava de Festival. O Ferroviário Esporte Clube, time da fazenda, convidava os times de futebol da região, de Belo Horizonte, Brumadinho, até Justinópolis… vários times.

Esses times vinham de ônibus para disputar um troféu. O dia inteiro era uma sequência de jogos, que iam até umas seis da tarde, ou até acabar o último jogo. E ainda tinha aquela resenha depois, né? O pessoal não largava o osso fácil! Depois dos jogos, a turma se juntava no barzinho que tinha por lá para prosear e tomar uma cervejinha. Esse barzinho ficava entre os dois vestiários e era uma fonte de renda pro Ferroviário. Ou seja, a cerveja e os sanduíches que o pessoal comprava geravam uma grana para manter o time. Eu até trabalhei lá por um tempo, meio que como voluntário.

Uma personalidade icônica daqui era o João Dunho. Ele não morava em Azurita, viveu a vida toda em Pará de Minas, mas trabalhava no escritório da Fazenda da Rede e, por muito tempo, foi presidente do Ferroviário. Ele gerenciava o barzinho e, muitas vezes, eu ficava com ele lá, ajudando a vender e arrecadar o dinheiro. Com essa grana, às vezes, dava pra lavar os uniformes, comprar bolas ou redes. Embora muita coisa fosse patrocinada por políticos e comerciantes da região, a gente ainda precisava de dinheiro. A Rede Ferroviária também ajudava, doava uniformes, bolas e sempre estava dando apoio.

História inspirada no relato de Gilson Raimundo da Silva, filho de ferroviário e antigo morador do Horto da Liberdade.

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