O Batalhão de Mauá fez um trabalho pesado na construção das linhas férreas que caminharam para várias direções do país. Ajudando a ligar o Brasil à sua nova capital, Brasília.
Sentido! Saudações, população araguarina. É com muita satisfação que convido vocês a conhecerem um pouco da nossa história e do trabalho do nosso batalhão.
“O Bandeirantes era um privilégio. Ele era um trem mais rápido, não atrasava. Se era pra passar às dez, ele passava às dez.”
Depoimento de Magno Camargo, ferroviário, torneiro mecânico aposentado.
O Trem Bandeirantes, Campinas à Brasília.
Autoria desconhecida. 1981. Acervo Blog Viagem de Trem.
O Trem Bandeirantes
Bandeirantes era o trem de passageiros que saía de Campinas em direção a Brasília. O trem de aço chegava a compor 17 vagões, com capacidade para 500 passageiros. Contava com serviço completo: ar-condicionado, poltronas reclináveis, restaurante e dormitório. Os passageiros podiam optar por bilhetes de primeira e segunda classe em poltronas ou, ainda, por beliches tipo leito.
Estação de Passageiros Estrada de Ferro Goiás, Palácio Dos Ferroviários.
Autoria desconhecida, 1972. Acervo de imagens do Arquivo histórico e museu Dr. Calil Porto.
O Bandeirantes chegou a Brasília!
Inaugurado no final da década de 1960, recebeu o nome de Bandeirantes por ter sido o primeiro trem de passageiros a desbravar a região do Planalto Central – que só foi possível graças à construção da conexão ferroviária realizada pelo Segundo Batalhão Ferroviário. O trem começou a trafegar oficialmente no sentido Brasília no dia 15 de dezembro de 1968, como anunciava a Gazeta do Triângulo. A composição saiu de Campinas às 10h30 min e chegou a Brasília no mesmo horário, no dia seguinte.
“Em 20 de abril de 1968, pela Companhia Mogiana, circulou o primeiro trem experimental de Campinas a Brasília; a composição, denominada “Bandeirante”. A partir daquela data passou a fazer o trajeto periodicamente, iniciando também o serviço de cargas.”
Trecho retirado do livro A Ferrovia em Araguari das historiadoras Juscélia Peixoto e Aparecida Abadia.
“Isso já tinha sido uma determinação do governo, da Diretoria da Ferrovia. Só me foi comunicado alguns meses antes que o Bandeirantes iria parar. Ô, pra mim não foi honra, não. Fiquei em uma tristeza danada. Você quando vê o progresso da ferrovia e depois vê ela enfrentando problemas, não fica satisfeito. Já pensa que coisa boa não vem por aí. E não veio mesmo.”
Depoimento de Edson Linger, o último maquinista a dirigir o Bandeirantes de Roncador a Araguari.
Bandeirantes aposentado
Após anos em funcionamento, o Bandeirantes encerrou suas atividades devido à diminuição no número de passageiros e a outros fatores operacionais. Em 1981, houve uma breve tentativa, por parte do governo Figueiredo, de ressuscitá-lo em função da crise do petróleo. Providências foram tomadas para arquitetar uma reinauguração. O trecho de São Paulo a Brasília recebeu uma viagem especial entre os dias 27 e 28 de abril de 1981, além de viagens regulares a partir do dia 8 de maio do mesmo ano. A venda de bilhetes foi o principal problema: bilhetes proibidos foram vendidos, cabines deixaram de ser reservadas, canais de comunicação informavam que o trem estava cheio; na realidade, os passageiros encontravam os vagões vazios. Apesar desses e de outros problemas, o Bandeirantes funcionou por dois anos até ser aposentado completamente.
O Trem Bandeirantes aposentado.
Magliano – Trens e Ferroviais. 1981. Acervo Revista Ferroviária.
Batalhão Ferroviário
O prefeito que trouxe o batalhão ferroviário
Em 1964, ano do golpe militar no Brasil, uma comissão de oficiais do Quadro de Engenharia do Exército buscava locais para instalar uma nova unidade de construção para as obras da ligação ferroviária de Brasília ao Sul do país. As cidades selecionadas foram Uberlândia, Pires do Rio e Ipameri. O prefeito de Araguari, Miguel Domingos de Oliveira, buscava na mesma época soluções para o turbulento cenário econômico e social decorrente da mudança de sede da Estrada de Ferro Goiás. Quando foi avisado de que os militares passariam pela cidade apesar de não terem selecionado Araguari, ele preparou uma grande recepção para os oficiais. O prefeito e sua equipe exibiram plantas e infraestrutura deixadas pela ferrovia, colocando-as à disposição da unidade. Além disso, argumentaram sobre possíveis contribuições de Araguari para os interesses governamentais, de acordo com Edmar César, de construir a ligação ferroviária do Sul a Brasília.
Jornal sobre as construções do Batalhão Ferroviário.
28 de Julho de 1978, O Triângulo. Arquivo Hemeroteca Nacional.
“O Batalhão Mauá quando terminou o tronco sul no Paraná em 1964, onde estava sua sede, em Rio Negro. Veio para Araguari. O Batalhão Mauá, é a unidade de engenharia, que veio realizar uma missão específica: integrar Brasília, capital federal, ao sistema ferroviário nacional, ou seja, Brasília nasceu, mas não tinha ligação com nada, e o trem de ferro já passava por Goiânia. Em 1965, chega em Araguari e começa a construir a ferrovia de Roncador pra frente, lá em Pires do Rio até Brasília. O batalhão vai, constrói essa ferrovia; que já tinha parte pronta, mas o batalhão teve que reconstruir. E em 1967, inaugura o trem de ferro em Brasília. O primeiro trem que chegou em Brasília, dia 14 de março, graças ao batalhão. Com a missão do batalhão, né?”
Depoimento de Edmar César, pesquisador e ex-integrante do Segundo Batalhão Mauá.