A história das fábricas de tecido no Brasil remonta ao ano de 1765, quando foram registradas as primeiras iniciativas no território. O setor teve um grande avanço a partir de 1843, quando os tratados com a Inglaterra foram revogados, a fim de acabar com a dependência das importações, resultando em uma euforia econômica na indústria têxtil. Em 1866, havia apenas uma fábrica têxtil em Minas Gerais, mas, em 1885, esse número passou para 13. A partir de 1891, a cidade de Itaúna foi profundamente favorecida pela indústria têxtil, com a chegada das importantes companhias: Itaunense e Santanense.
Tratado de amizade e aliança entre Portugal e Reino Unido
Em 1810, foram assinados tratados entre os reinos de Portugal e da Inglaterra. Os tratados concederam à Inglaterra vantagens comerciais, como tarifas preferenciais de 15% para seus produtos nos portos portugueses, abaixo das taxas de 16% para produtos locais e de 32% para os de outros países.
Este documento é uma réplica do testamento de Eugenia Maria de São Joaquim. Armazenado no arquivo Judiciário de Pitangui, revela como as pessoas sequestradas nos territórios africanos e escravizadas no Brasil eram tratadas como mercadorias, sendo registradas como “bens móveis” em inventários e testamentos, destinadas à partilha entre herdeiros. A preservação de dados históricos como este é fundamental para que os horrores desse período jamais sejam esquecidos.
Indústria Têxtil Santanense
A empresa têxtil Santanense chegou ao Arraial de Sant’Ana, futura Itaúna, em outubro de 1891, instalada na Fazenda da Cachoeira, posteriormente bairro da Cachoeira. Os equipamentos chegaram ao arraial pelos trilhos de ferro mais próximos, nas cidades de Sabará (Central do Brasil) e Divinópolis (EFOM), depois foram transportados por tração animal. Após anos de construção, os teares foram ligados em 7 de setembro de 1895.
A Santanense foi construída para ser uma das maiores fábricas de Minas Gerais, já nos seus primeiros anos de funcionamento contava com mais de duzentos teares.
BAIRRO SANTANENSE, VISTA DA FÁBRICA DE TECIDOS.
Autoria e data desconhecidas. Acervo do Blog Itaúna Décadas
O Tecido Independência
O primeiro tecido feito nas máquinas da Santanense recebeu o nome de Independência, refletindo o alinhamento dos administradores da fábrica com os acontecimentos políticos do Arraial de Sant’Ana, em 1901. Em meio ao movimento de emancipação político-administrativa em relação a Pará de Minas, a produção dos tecidos chegou à média anual de seiscentos mil metros, ressaltando a independência econômica do arraial e a valorização do mercado nacional.
A fábrica prosperou e se manteve relevante durante anos de atuação. Além de ser a responsável pelo surgimento do bairro Santanense, foi por sua causa que se construiu a estação ferroviária de mesmo nome.
Indústria Têxtil Itaunense
A história da Companhia Itaunense começa antes de sua inauguração, com João de Cerqueira Lima, nascido em Portugal em 1870. Ele imigrou para o Brasil com sua família em busca de oportunidades e foi contratado pela Fábrica de Tecidos Santanense, onde trabalhou como gerente por alguns anos. Com a experiência adquirida, João, junto a investidores locais, fundou a Companhia Industrial Itaunense.Sob sua liderança, a Itaunense prosperou, gerando empregos e impulsionando a economia local.
COMPANHIA INDUSTRIAL ITAUNENSE.
Autoria desconhecida, década de 80. Acervo de Santana FM
“Meu avô foi chamado para trabalhar como chefe da fiação na Itaunense, e veio de Pedro Leopoldocom a minha mãe. Após um ano em que ele estava aqui, teve um derrame e morreu. A família morava na casa da Fábrica Itaunense com nove filhos, e foi então que o gerente chamou minha mãe e meus tios para trabalharem lá. No armazém da fábrica, podia–se comprar comida e outros produtos, descontando em folha no final do mês. Minha mãe sempre falava que eles sobreviveram porque a Itaunense ajudou demais. Quando a fábrica quebrou, ela ficou numa tristeza. Dizia: ‘Nós não passamos fome por conta da Itaunense’.”Elisabeth Cotinho Magalhães, moradora do entorno