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O ano de 1841 foi marcado pela elevação do Curato de Sant’Ana à Paróquia de Sant’Ana. Na data, iniciou-se a construção de uma nova capela, localizada onde hoje fica a Praça Dr. Augusto Gonçalves. Mais tarde, em 1853, a nova capela foi transformada em Igreja Matriz. Assim, a Matriz de Sant’Ana foi transferida para a parte baixa da região, e a Capela do Rosário, de 1765, passou a ser reconhecida como Capela de Cima, devido à localização no topo da colina.
A história da Companhia Itaunense começa antes de sua inauguração, com João de Cerqueira Lima, nascido em Portugal em 1870. Ele imigrou para o Brasil com sua família em busca de oportunidades e foi contratado pela Fábrica de Tecidos Santanense, onde trabalhou como gerente por alguns anos. Com a experiência adquirida, João, junto a investidores locais, fundou a Companhia Industrial Itaunense. Sob sua liderança, a Itaunense prosperou, gerando empregos e impulsionando a economia local.
“Meu avô foi chamado para trabalhar como chefe da fiação na Itaunense, e veio de Pedro Leopoldo com a minha mãe. Após um ano em que ele estava aqui, teve um derrame e morreu. A família morava na casa da Fábrica Itaunense com nove filhos, e foi então que o gerente chamou minha mãe e meus tios para trabalharem lá. No armazém da fábrica, podia-se comprar comida e outros produtos, descontando em folha no final do mês. Minha mãe sempre falava que eles sobreviveram porque a Itaunense ajudou demais. Quando a fábrica quebrou, ela ficou numa tristeza. Dizia: ‘Nós não passamos fome por conta da Itaunense’.” Elisabeth Cotinho Magalhães, moradora do entorno
A estação ferroviária de Santanense, criada para atender a demanda da Fábrica Santanense, foi inaugurada em 1920. O bairro de mesmo nome, cresceu ainda mais com a nova parada das locomotivas nas suas proximidades. O prédio é verdadeiro sobrevivente, pois foi atingido por incêndios e sofreu com o desgaste ao longo dos anos, mas continuou com sua estrutura firme.
“Precisava do trem para o algodão chegar.” Filipe Abner Souza Silva, coordenador do Museu Municipal em 2024.
Conhecida como Praça da Estação ou Praça João Pessoa, em homenagem ao paraibano que foi candidato à vice-presidência do Brasil.
“A praça era de chão batido. Nós nos sentávamos aqui nos banquinhos que havia na praça para conversar todas as tardes.” Elisabeth Coutinho Magalhães, moradora do entorno
A estação de Itaúna foi inaugurada em 1911 e passou por reformas em 1917, quando recebeu novas instalações. Em 1992, passou a abrigar o Museu Municipal, e em 2007 o local foi tombado como patrimônio cultural. O prédio atendeu tanto aos passageiros da ferrovia quanto aos moradores de Itaúna, que utilizavam o espaço para convivência e serviços como entregas e envio de telegramas. As novidades chegavam pela estação, e seu entorno se desenvolveu impulsionado pelas inovações trazidas pela ferrovia.
“Ali na estação era assim: domingo, todo mundo ia para a praça. O expresso passava às 19h30 e deixava as mocinhas. Terminava a missa na igreja, descia todo mundo para ver o trem passar. Porque os passageiros vinham… vinha artista, vinha o trem que tinha o carro de luxo… A primeira classe passava às 08h. Tinha o Sr. Arlindo, que vendia doce, café, tudo, lá na estação. A gente ficava passeando para lá e para cá, para ver o povo.” Maria Aparecida “Lili” de Aquino, filha de ferroviário.
“O pessoal da Rede trabalhava todo por aqui; morava tudo aqui, era só gente da Rede. Eram: o guarda-chaves, o guarda-freio, o agente e o conferente. O guarda-chaves era quem puxava… abria a porta e descarregava as mercadorias. Vinha uma porção de carroça, que era o meio de transporte utilizado da estação até as indústrias e comércios, e estacionavam aqui na praça.” Maria Angela Moreira, neta de ferroviário e moradora do entorno.
“Eu morava pertinho da linha, quando o trem apitava lá longe, nós, as meninas de perto, íamos todas para a beirada da linha dar tchau para o maquinista.” Duca, moradora do entorno
“Quando eu penso na ferrovia eu vejo, principalmente, economia, eu vejo qualidade, eu vejo a história que não vai ter fim. Vicente Paulo “Morada do Sol” de Souza, radialista e funcionário público do Museu Municipal.
“Você pode registrar uma Itaúna antes da ferrovia e uma Itaúna depois da ferrovia.” Luiz Mascarenhas, pesquisador e professor
“Aqui em Itaúna a gente costuma dizer que ou todo mundo tá ligado à itaunense ou tá ligado à indústria ferroviária.” Felipe Abner Souza Silva, coordenador do Museu Municipal
Inaugurada em 1923, a estação funcionava como terminal de carregamento e auxílio para o alto-forno de uma empresa de siderurgia localizada nas proximidades.
Junto à expansão da linha férrea no Brasil, a RFFSA construía, perto das principais estações, moradias para seus funcionários residirem com suas famílias. Em 1917, o engenheiro Abrahão Leite foi responsável pela construção da Casa do Engenheiro de Itaúna. Com a desativação da Estação Ferroviária, a casa foi inventariada pelo DNIT e, no ano de 2021, foi cedida à Prefeitura de Itaúna pelos próximos 20 anos.
“Aqui fala-se “Casa do Engenheiro”. Naquele tempo, o engenheiro da Rede Ferroviária era quase uma autoridade da cidade. Eles falavam “Casa do Engenheiro” e todo mundo sabia que era o engenheiro da Rede.” Nilo Silva, morador do entorno
“Eu nasci aqui, estou hoje com 86 anos e meu avô trabalhou na Rede. Minha avó e meu avô moravam em uma casa perto da cooperativa. Depois, quando meu avô morreu, minha avó construiu uma casa aqui, onde nós moramos atualmente. O povo da Rede era uma família, a gente se considerava. Essas casas aqui na beirada eram todas de funcionários da Rede: tinha o Sr. Frederico, o Sr. João, o Sr. Anésio, o Ticó; era gente demais da conta!” Maria Ângela Moreira, moradora do entorno
“A gente ficava no meu alpendre e abanava a mão para as pessoas que estavam dentro do trem, podiam ser até desconhecidos, que nem eram da nossa família. Aí o maquinista buzinava e tudo era uma festa. Todo mundo me perguntava: “nó, mas vocês dormem com esse barulho?” E eu respondia: “para mim, é cantiga de ninar.”” Maria de Fátima Quadros, moradora do entorno
A história da Companhia Itaunense começa antes de sua inauguração, com João de Cerqueira Lima, nascido em Portugal em 1870. Ele imigrou para o Brasil com sua família em busca de oportunidades e foi contratado pela Fábrica de Tecidos Santanense, onde trabalhou como gerente por alguns anos. Com a experiência adquirida, João, junto a investidores locais, fundou a Companhia Industrial Itaunense. Sob sua liderança, a Itaunense prosperou, gerando empregos e impulsionando a economia local.
“Meu avô foi chamado para trabalhar como chefe da fiação na Itaunense, e veio de Pedro Leopoldo com a minha mãe. Após um ano em que ele estava aqui, teve um derrame e morreu. A família morava na casa da Fábrica Itaunense com nove filhos, e foi então que o gerente chamou minha mãe e meus tios para trabalharem lá. No armazém da fábrica, podia-se comprar comida e outros produtos, descontando em folha no final do mês. Minha mãe sempre falava que eles sobreviveram porque a Itaunense ajudou demais. Quando a fábrica quebrou, ela ficou numa tristeza. Dizia: ‘Nós não passamos fome por conta da Itaunense’.” Elisabeth Cotinho Magalhães, moradora do entorno
De acordo com a história oral, em 1955, três crianças teriam visto Nossa Senhora enquanto brincavam perto de uma gruta, atraindo fiéis que esperavam presenciar o mesmo. Dias depois, conta-se que ela apareceu novamente, desta vez a três homens, pedindo a construção de um altar. Assim, em 1956, surgiu a Gruta de Nossa Senhora de Itaúna. Em 2002, sua imagem foi confeccionada e posicionada no altar, e o espaço passou a receber celebrações de missas.
O ano de 1841 foi marcado pela elevação do Curato de Sant’Ana à Paróquia de Sant’Ana. Na data, iniciou-se a construção de uma nova capela, localizada onde hoje fica a Praça Dr. Augusto Gonçalves. Mais tarde, em 1853, a nova capela foi transformada em Igreja Matriz. Assim, a Matriz de Sant’Ana foi transferida para a parte baixa da região, e a Capela do Rosário, de 1765, passou a ser reconhecida como Capela de Cima, devido à localização no topo da colina.
A empresa têxtil Santanense chegou ao Arraial de Sant’Ana, futura Itaúna, em outubro de 1891, instalada na Fazenda da Cachoeira, posteriormente bairro da Cachoeira. Os equipamentos chegaram ao arraial pelos trilhos de ferro mais próximos, nas cidades de Sabará (Central do Brasil) e Divinópolis (EFOM), depois foram transportados por tração animal. Após anos de construção, os teares foram ligados em 7 de setembro de 1895.
A Santanense foi construída para ser uma das maiores fábricas de Minas Gerais, já nos seus primeiros anos de funcionamento contava com mais de duzentos teares.
A estação ferroviária de Santanense, criada para atender a demanda da Fábrica Santanense, foi inaugurada em 1920. O bairro de mesmo nome, cresceu ainda mais com a nova parada das locomotivas nas suas proximidades. O prédio é verdadeiro sobrevivente, pois foi atingido por incêndios e sofreu com o desgaste ao longo dos anos, mas continuou com sua estrutura firme.
“Precisava do trem para o algodão chegar.” Filipe Abner Souza Silva, coordenador do Museu Municipal em 2024.
Conhecida como Praça da Estação ou Praça João Pessoa, em homenagem ao paraibano que foi candidato à vice-presidência do Brasil.
“A praça era de chão batido. Nós nos sentávamos aqui nos banquinhos que havia na praça para conversar todas as tardes.” Elisabeth Coutinho Magalhães, moradora do entorno
A estação de Itaúna foi inaugurada em 1911 e passou por reformas em 1917, quando recebeu novas instalações. Em 1992, passou a abrigar o Museu Municipal, e em 2007 o local foi tombado como patrimônio cultural. O prédio atendeu tanto aos passageiros da ferrovia quanto aos moradores de Itaúna, que utilizavam o espaço para convivência e serviços como entregas e envio de telegramas. As novidades chegavam pela estação, e seu entorno se desenvolveu impulsionado pelas inovações trazidas pela ferrovia.
“Ali na estação era assim: domingo, todo mundo ia para a praça. O expresso passava às 19h30 e deixava as mocinhas. Terminava a missa na igreja, descia todo mundo para ver o trem passar. Porque os passageiros vinham… vinha artista, vinha o trem que tinha o carro de luxo… A primeira classe passava às 08h. Tinha o Sr. Arlindo, que vendia doce, café, tudo, lá na estação. A gente ficava passeando para lá e para cá, para ver o povo.” Maria Aparecida “Lili” de Aquino, filha de ferroviário.
“O pessoal da Rede trabalhava todo por aqui; morava tudo aqui, era só gente da Rede. Eram: o guarda-chaves, o guarda-freio, o agente e o conferente. O guarda-chaves era quem puxava… abria a porta e descarregava as mercadorias. Vinha uma porção de carroça, que era o meio de transporte utilizado da estação até as indústrias e comércios, e estacionavam aqui na praça.” Maria Angela Moreira, neta de ferroviário e moradora do entorno.
“Eu morava pertinho da linha, quando o trem apitava lá longe, nós, as meninas de perto, íamos todas para a beirada da linha dar tchau para o maquinista.” Duca, moradora do entorno
“Quando eu penso na ferrovia eu vejo, principalmente, economia, eu vejo qualidade, eu vejo a história que não vai ter fim. Vicente Paulo “Morada do Sol” de Souza, radialista e funcionário público do Museu Municipal.
“Você pode registrar uma Itaúna antes da ferrovia e uma Itaúna depois da ferrovia.” Luiz Mascarenhas, pesquisador e professor
“Aqui em Itaúna a gente costuma dizer que ou todo mundo tá ligado à itaunense ou tá ligado à indústria ferroviária.” Felipe Abner Souza Silva, coordenador do Museu Municipal
Inaugurada em 1923, a estação funcionava como terminal de carregamento e auxílio para o alto-forno de uma empresa de siderurgia localizada nas proximidades.
Junto à expansão da linha férrea no Brasil, a RFFSA construía, perto das principais estações, moradias para seus funcionários residirem com suas famílias. Em 1917, o engenheiro Abrahão Leite foi responsável pela construção da Casa do Engenheiro de Itaúna. Com a desativação da Estação Ferroviária, a casa foi inventariada pelo DNIT e, no ano de 2021, foi cedida à Prefeitura de Itaúna pelos próximos 20 anos.
“Aqui fala-se “Casa do Engenheiro”. Naquele tempo, o engenheiro da Rede Ferroviária era quase uma autoridade da cidade. Eles falavam “Casa do Engenheiro” e todo mundo sabia que era o engenheiro da Rede.” Nilo Silva, morador do entorno
“Eu nasci aqui, estou hoje com 86 anos e meu avô trabalhou na Rede. Minha avó e meu avô moravam em uma casa perto da cooperativa. Depois, quando meu avô morreu, minha avó construiu uma casa aqui, onde nós moramos atualmente. O povo da Rede era uma família, a gente se considerava. Essas casas aqui na beirada eram todas de funcionários da Rede: tinha o Sr. Frederico, o Sr. João, o Sr. Anésio, o Ticó; era gente demais da conta!” Maria Ângela Moreira, moradora do entorno
“A gente ficava no meu alpendre e abanava a mão para as pessoas que estavam dentro do trem, podiam ser até desconhecidos, que nem eram da nossa família. Aí o maquinista buzinava e tudo era uma festa. Todo mundo me perguntava: “nó, mas vocês dormem com esse barulho?” E eu respondia: “para mim, é cantiga de ninar.”” Maria de Fátima Quadros, moradora do entorno
A história da Companhia Itaunense começa antes de sua inauguração, com João de Cerqueira Lima, nascido em Portugal em 1870. Ele imigrou para o Brasil com sua família em busca de oportunidades e foi contratado pela Fábrica de Tecidos Santanense, onde trabalhou como gerente por alguns anos. Com a experiência adquirida, João, junto a investidores locais, fundou a Companhia Industrial Itaunense. Sob sua liderança, a Itaunense prosperou, gerando empregos e impulsionando a economia local.
“Meu avô foi chamado para trabalhar como chefe da fiação na Itaunense, e veio de Pedro Leopoldo com a minha mãe. Após um ano em que ele estava aqui, teve um derrame e morreu. A família morava na casa da Fábrica Itaunense com nove filhos, e foi então que o gerente chamou minha mãe e meus tios para trabalharem lá. No armazém da fábrica, podia-se comprar comida e outros produtos, descontando em folha no final do mês. Minha mãe sempre falava que eles sobreviveram porque a Itaunense ajudou demais. Quando a fábrica quebrou, ela ficou numa tristeza. Dizia: ‘Nós não passamos fome por conta da Itaunense’.” Elisabeth Cotinho Magalhães, moradora do entorno
De acordo com a história oral, em 1955, três crianças teriam visto Nossa Senhora enquanto brincavam perto de uma gruta, atraindo fiéis que esperavam presenciar o mesmo. Dias depois, conta-se que ela apareceu novamente, desta vez a três homens, pedindo a construção de um altar. Assim, em 1956, surgiu a Gruta de Nossa Senhora de Itaúna. Em 2002, sua imagem foi confeccionada e posicionada no altar, e o espaço passou a receber celebrações de missas.